9 de outubro de 2026

The best of everything

 

Editora Tinder Press

"O melhor de tudo", na minha tradução do título, pode ser um livro bom, mas o que acontece quando não se gosta da personagem principal?

Além disso, fiquei bem incomodada com a linha do tempo da trama, e isso me distraía em alguns momentos.

Mas é uma história bonita sobre maternidade, como a vida sai do planejado, e a gente pode se surpreender de forma positiva também. 


2 de outubro de 2026

The Other Moctezuma Girls

Editora Amazon Crossing

Sofia Robleda escreveu uma ficção histórica sobre a família real do império Asteca assim que os espanhóis chegaram - o livro se passa em 1551: As outras garotas Moctezuma.

É realmente muito interessante ler sobre a cultura asteca, aprender um pouco sobre culinária e a sociedade da época. Apesar de ser a mesma época do início da colonização portuguesa aqui no Brasil, o processo na região que hoje é México foi muito diferente.

A personagem principal, Isabel, parece bastante empoderada, e embora eu concorde que há mulheres atuantes e inteligentes em basicamente todos os momentos da humanidade, qualquer época, qualquer lugar, ficou um tanto artificial. A irmã dela é surda, e elas desenvolveram uma linguagem de sinais, realmente complexa para o nível das conversas, e quando elas estão fugindo, no escuro, ela também lê o movimento dos lábios das pessoas com as mãos - ela também consegue ler, porque ficou surda depois de uma infecção, então, aparentemente, não há dificuldades de fala. Eu acho ótimo ter personagens diversos, mas ficou extremamente elaborado e inverossímil em certos momentos.

Além disso, há simplesmente TANTA EMOÇÃO descrita. Os personagens estão extremamente tristes num parágrafo, e bravos no seguinte, e frustrados no próximo, e com medo no seguinte. Cansativo.

Eu não gostei, mas entendo o apelo de aventura que deixa esse livro tão bem avaliado no Goodreads.

Agradeço a editora pela cópia avançada através do netgalley, por uma revisão sincera.


 

29 de setembro de 2026

O homem não existe

 

Editora Zahar

O livro "O homem não existe", da Ligia Gonçalves Diniz, é um livro que dá vontade de falar sobre, trazer as observações que ela faz para a mesa de bar - mas as minhas tentativas começavam tentando explicar como "O homem não existe" é uma provação a expressão "a mulher não existe" (pode dar um google).

A autora não procura ser extensiva nos seus exemplos da masculinidade como retratada na literatura, apenas algumas obras emblemáticas são citadas em cada tema, muito do gosto pessoal dela - que, sinto em dizer, não coincidiu muito com o meu (e tudo bem). 

O livro é bom, senhoras e senhores (embora acredite que será mais lido por senhoras mesmo).




A Correspondente

 

Editora Tag

O livro da Virginia Evans, A Correspondente, foi uma sensação nos últimos tempos, e essa edição da Tag está realmente muito bonita, a começar pela capa que coloca um livro literalmente num envelope.

Livros epistolares não são muito comuns, mas são muito interessantes. Esse deixa algumas lacunas, apesar de preencher as principais, então não recomendo para quem gosta de tudo muito detalhadamente descrito. 

Além disso, a personagem principal é uma mulher mais velha, o que sempre me interessa na literatura. 

Há muitas referências a livros, e a amizade da narradora com a melhor amiga me lembrou minhas amizades de adolescência, que sempre volta para um: o que você está lendo, o que eu estou lendo. Maravilhoso, de deixar o coração quentinho. Recomendo.



24 de setembro de 2026

Orbital

 

Editora DBA

Orbital, de Samantha Harvey, ganhou o The Booker Prize de 2024 e entrou no meu radar: uma história um dia de 6 astronautas na estação espacial mais para lírica do que ficção científica, certamente é algo que me interessa.

O livro é realmente bonito, toca em vários aspectos da identidade humana, os relacionamentos ocasionais e longos, a tensão entre tecnologia e o mundo natural, até o propósito da vida de cada um. Acredito que, num clube do livro com as pessoas certas, o sentido poderia até se expandir e meu apreço pelo livro também, mas não consegui dar as 5 estrelas que eu imaginei que teria. É um ótimo livro mesmo assim. 

18 de setembro de 2026

The Remains of the Day

 

Editora Farber & Farber

Eu lembro vagamente de assistir o filme Os Vestígios do Dia, e só depois de realmente gostar do livro Never let me go, colocar "The Remains of the Day" na lista de interesse. Posso então afirmar com certeza: Kazuo Ishiguro, ganhador de prêmio Nobel, não decepciona.

Logo no começo da história, eu já estava encantada pelos personagens, pela forma delicada de narrativa, pelo tecido literário que nos envolve. Existem as dimensões humana, sociais e políticas da narrativa, mas nada é forçado ou demasiado, é denso, sem ser pesado. 

Brilhante, eu diria.


13 de setembro de 2026

Fique Comigo

 

Editora Harper Collins

Vejam bem, eu gosto de livros tristes. Tragédias. Mas novelão pelo novelão, sem algum requinte literário, tem me deixado apenas mal humorada com tanto drama. Talvez seja por conta da idade, mas "Fique comigo" da Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, acabou caindo nessa categoria.

Começa com uma questão de infertilidade, e aí passa por perda de filhos, crise no casamento, infidelidades, com um pano de fundo político que eu acho que só foi sendo tecido ao longo do enredo para uma cena ficar mais tensa, mas sem um sentimento real envolvido. 

Eu entendo o apelo, de verdade, entendo quem se comoveu, sofreu, chorou, achou ótima a história, mas realmente me cansou a beleza. Não desisti porque é difícil mesmo prever aonde isso tudo ia parar, mas recomendo só para quem gosta de drama mesmo.