16 de outubro de 2026

A leste do Éden

 

Editora Record

Mais um livro pelo qual ofereço amizades sinceras para conversar sobre ele: A leste do Éden, de John Steibeck. Maaaaaaas, com a recente série da netflix, e o podcast The Book Club, até que achei alguns interlocutores que conseguem acompanhar o assunto (a dica é: não perguntar se eu posso falar sobre isso).

O livro é gigante - mais de 800 páginas na minha edição - mas a prosa é tranquila (apesar de algumas cenas fortes), flui bem, como dizem por aí, e os personagens são interessantíssimos. Adorei o Samuel Hamilton, o Lee, o Caleb, a Abra.... E sim, Cathy é definitivamente uma psicopata. Vou levar esse povo na minha mente por muito tempo.

Nisso, desisti de assistir a série: não quero sofrer de novo, nem ficar sentindo falta de passagens marcantes. É assim a vida.

Um livro fenomenal, entende-se bem porque o autor ganhou o prêmio Nobel (e eu já li os outros dele: As Vinhas da Ira, e Ratos e Homens, antes do blog, que eu também recomendo).



9 de outubro de 2026

The best of everything

 

Editora Tinder Press

"O melhor de tudo", na minha tradução do título, pode ser um livro bom, mas o que acontece quando não se gosta da personagem principal?

Além disso, fiquei bem incomodada com a linha do tempo da trama, e isso me distraía em alguns momentos.

Mas é uma história bonita sobre maternidade, como a vida sai do planejado, e a gente pode se surpreender de forma positiva também. 


2 de outubro de 2026

The Other Moctezuma Girls

Editora Amazon Crossing

Sofia Robleda escreveu uma ficção histórica sobre a família real do império Asteca assim que os espanhóis chegaram - o livro se passa em 1551: As outras garotas Moctezuma.

É realmente muito interessante ler sobre a cultura asteca, aprender um pouco sobre culinária e a sociedade da época. Apesar de ser a mesma época do início da colonização portuguesa aqui no Brasil, o processo na região que hoje é México foi muito diferente.

A personagem principal, Isabel, parece bastante empoderada, e embora eu concorde que há mulheres atuantes e inteligentes em basicamente todos os momentos da humanidade, qualquer época, qualquer lugar, ficou um tanto artificial. A irmã dela é surda, e elas desenvolveram uma linguagem de sinais, realmente complexa para o nível das conversas, e quando elas estão fugindo, no escuro, ela também lê o movimento dos lábios das pessoas com as mãos - ela também consegue ler, porque ficou surda depois de uma infecção, então, aparentemente, não há dificuldades de fala. Eu acho ótimo ter personagens diversos, mas ficou extremamente elaborado e inverossímil em certos momentos.

Além disso, há simplesmente TANTA EMOÇÃO descrita. Os personagens estão extremamente tristes num parágrafo, e bravos no seguinte, e frustrados no próximo, e com medo no seguinte. Cansativo.

Eu não gostei, mas entendo o apelo de aventura que deixa esse livro tão bem avaliado no Goodreads.

Agradeço a editora pela cópia avançada através do netgalley, por uma revisão sincera.


 

29 de setembro de 2026

O homem não existe

 

Editora Zahar

O livro "O homem não existe", da Ligia Gonçalves Diniz, é um livro que dá vontade de falar sobre, trazer as observações que ela faz para a mesa de bar - mas as minhas tentativas começavam tentando explicar como "O homem não existe" é uma provação a expressão "a mulher não existe" (pode dar um google).

A autora não procura ser extensiva nos seus exemplos da masculinidade como retratada na literatura, apenas algumas obras emblemáticas são citadas em cada tema, muito do gosto pessoal dela - que, sinto em dizer, não coincidiu muito com o meu (e tudo bem). 

O livro é bom, senhoras e senhores (embora acredite que será mais lido por senhoras mesmo).




A Correspondente

 

Editora Tag

O livro da Virginia Evans, A Correspondente, foi uma sensação nos últimos tempos, e essa edição da Tag está realmente muito bonita, a começar pela capa que coloca um livro literalmente num envelope.

Livros epistolares não são muito comuns, mas são muito interessantes. Esse deixa algumas lacunas, apesar de preencher as principais, então não recomendo para quem gosta de tudo muito detalhadamente descrito. 

Além disso, a personagem principal é uma mulher mais velha, o que sempre me interessa na literatura. 

Há muitas referências a livros, e a amizade da narradora com a melhor amiga me lembrou minhas amizades de adolescência, que sempre volta para um: o que você está lendo, o que eu estou lendo. Maravilhoso, de deixar o coração quentinho. Recomendo.



24 de setembro de 2026

Orbital

 

Editora DBA

Orbital, de Samantha Harvey, ganhou o The Booker Prize de 2024 e entrou no meu radar: uma história um dia de 6 astronautas na estação espacial mais para lírica do que ficção científica, certamente é algo que me interessa.

O livro é realmente bonito, toca em vários aspectos da identidade humana, os relacionamentos ocasionais e longos, a tensão entre tecnologia e o mundo natural, até o propósito da vida de cada um. Acredito que, num clube do livro com as pessoas certas, o sentido poderia até se expandir e meu apreço pelo livro também, mas não consegui dar as 5 estrelas que eu imaginei que teria. É um ótimo livro mesmo assim. 

18 de setembro de 2026

The Remains of the Day

 

Editora Farber & Farber

Eu lembro vagamente de assistir o filme Os Vestígios do Dia, e só depois de realmente gostar do livro Never let me go, colocar "The Remains of the Day" na lista de interesse. Posso então afirmar com certeza: Kazuo Ishiguro, ganhador de prêmio Nobel, não decepciona.

Logo no começo da história, eu já estava encantada pelos personagens, pela forma delicada de narrativa, pelo tecido literário que nos envolve. Existem as dimensões humana, sociais e políticas da narrativa, mas nada é forçado ou demasiado, é denso, sem ser pesado. 

Brilhante, eu diria.