24 de abril de 2026

Meridiana

 

Editora Companhia das Letras

Eliana Alves Cruz escreve um livro sensível sobre uma família negra em ascensão para classe média, e tangencia TANTOS tópicos críticos da realidade contemporânea brasileira, que faz sentido o nome do livro ser Meridiana - o nome da filha caçula que é dado em referência às linhas imaginárias que repartem o mundo.

Não dá para ser brasileiro, ler esse livro, e não lembrar de conhecidos, amigos, notícias no jornal, e como fatos comuns (por exemplo, o plano Collor) impacta de maneiras diferentes brancos e negros. A autora expande mesmo isso: cada parte é um relato de um membro da família (pai, mãe, 3 filhos), e cada um deles tem percepções diferentes e muitas vezes não entendem as escolhas ou comportamentos uns dos outros, ou mesmo, supõem pensamentos e emoções que não são  verdadeiros - ou, pelo menos, não são a história toda.

Há em todos nós narradores não confiáveis, para usar um termo atual, e talvez muitos conflitos poderiam ser evitados se déssemos tempo para ouvir verdadeiramente o outro e, para mim, essa é a maior lição do livro.

 

20 de abril de 2026

Minha irmã, a Serial Killer

 

Editora Kapulana

Se o título é "Minha irmã, a serial killer", você sabe que não se trata de uma história de mistério e, lendo o livro da nigeriana Oyinkan Braithwaite, você não sabe se é uma comédia, drama, ou o quê.

Realmente ele rompe com as expectativas, e é de leitura fácil, mas fica um estranhamento, como se algo mais poderia ser desenvolvido. Três estrelas.

18 de abril de 2026

A Filha Perdida

 

Editora Intrínseca

Elena Ferrante entrega uma ótima história para discutir maternidade em A Filha Perdida. Eu já tinha visto o filme (desviando do normal por aqui), e achado suficiente, mas me empolguei quando uma amiga começou a comentar sobre o livro. Ele traz dimensões que não estavam presentes na película (como esperado), e achei realmente um ótimo livro para clube do livro com outras mães.



16 de abril de 2026

The Beatrice Letters

 

Editora Harper Collins

Para finalizar "Desventuras em série", eu e minhas filhas lemos "The Beatrice Letters", em tradução simultânea, e muita discussão sobre de quem se trata em cada caso.

Esse livro é muito bonito, com folhas e formatos diferentes, e nunca chegou a ser traduzido (imagino que sairia muito caro). 

Eu gostaria que ele tivesse mais respostas? Sim. Mas a vida é assim também.


15 de abril de 2026

O Morro dos Ventos Uivantes

 

Editora Nova Século

Essa é a segunda vez que eu leio "O Morro dos Ventos Uivantes" e foi bem melhor porque foi junto com o clube do livro do trabalho. Eu só lembrava que não tinha gostado do livro quando li a primeira vez e, embora eu continue não gostando da história e dos personagens, consigo apreciar bem mais o talento de Emily Brontë, assim como as diferentes perspectivas de leituras.

Na minha opinião, as pessoas que idealizam o Heathcliff como o ideal de homem apaixonado tem questões psicológicos - assim como ele - então, para usar um termo moderno que foi mencionado na discussão, trata-se bem mais de uma história sobre "trauma geracional" do que uma história de amor. 

Ainda bem que acabou.

14 de abril de 2026

The Seven Dials Mystery

 

Editora Harper Collins

Na trilha da mini série da Netflix baseada nesse livro, O Mistério dos Sete Relógios, resolvi matar minhas saudades de Agatha Christie para ver as diferenças entre o livro e o audiovisual. 

Realmente a Bundle, a detetive amadora, é uma personagem muito interessante - não a mocinha aristocrata que costumamos conhecer, e é bonito de ver como a autora nos engana descaradamente. É realmente uma gênia do crime. 

Recomendo!

8 de abril de 2026

No one you know

 

Editora She writes

O livro "No one you know", de Emma Tourtelot, é sobre uma mãe e sua filha adolescente - o que já poderia ser drama suficiente, mas a situação é especialmente tensionada pelo luto após a morte da melhor amiga da garota. 

O contexto é bem particular dos Estados Unidos, principalmente toda a questão de "pessoas da cidade morando no subúrbio", mas, depois, quando o descompasso entre mãe e filha aumenta, propulsionado por interferências da internet, a trama chegou ao meu coração. Deu um desespero, uma vontade de entrar na história para ajudar as duas, além do medo de não saber quão pior a situação poderia ficar.

Foi muito interessante ler esse livro em paralelo com Deus na era secular, de Timothy Keller, porque esta história poderia ser a prática do que ele apresenta na teoria. Há uma necessidade espiritual no coração e na mente de todos nós, e por uma ideia vaga de que é possível "criar alguém sem religião", deixam crianças e adolescentes vulneráveis a encontrar respostas que não são boas, nem fazem bem. 

Eu agradeço por receber uma cópia através da plataforma NetGalley.