8 de abril de 2026

No one you know

 

Editora She writes

O livro "No one you know", de Emma Tourtelot, é sobre uma mãe e sua filha adolescente - o que já poderia ser drama suficiente, mas a situação é especialmente tensionada pelo luto após a morte da melhor amiga da garota. 

O contexto é bem particular dos Estados Unidos, principalmente toda a questão de "pessoas da cidade morando no subúrbio", mas, depois, quando o descompasso entre mãe e filha aumenta, propulsionado por interferências da internet, a trama chegou ao meu coração. Deu um desespero, uma vontade de entrar na história para ajudar as duas, além do medo de não saber quão pior a situação poderia ficar.

Foi muito interessante ler esse livro em paralelo com Deus na era secular, de Timothy Keller, porque esta história poderia ser a prática do que ele apresenta na teoria. Há uma necessidade espiritual no coração e na mente de todos nós, e por uma ideia vaga de que é possível "criar alguém sem religião", deixam crianças e adolescentes vulneráveis a encontrar respostas que não são boas, nem fazem bem. 

Eu agradeço por receber uma cópia através da plataforma NetGalley.

Deus na era secular

 

Editora Vida Nova

Este livro de Timothy Keller é escrito para céticos - ateus, não cristãos, etc - argumentando sobre a existência de Deus, e mais especificamente sobre o valor do cristianismo para o mundo hoje. 

A princípio, é bastante filosófico, e cita estudiosos tanto cristãos como seculares, e parece realmente um livro bem acadêmico. Depois, engrena, e fica um pouco mais direto, mas, ainda sim, bem fundamentado. 

Como boa presbiteriana, fiquei pensando em como todos esses argumentos lógicos se encaixam numa salvação pela graça, e por não ser o ponto do livro, isto não entra em discussão. O ponto realmente é usar a argumentação da época para mostrar como o cristianismo é a melhor resposta, e, se eu que acredito fiquei impressionada, imagino que os céticos também apreciarão a seriedade da discussão.

3 de abril de 2026

Índice Médio de Felicidade

 

Editora Dublinense

O livro "Índice Médio de Felicidade", de David Machado, fala sobre um cara, pai de família, e como ele lida com o impacto da crise econômica de 2012 em Portugal. Basicamente: mal. 

O livro tem uma pegada de redenção no final, mas até lá, eu já estava com uma raiva profunda desse homem branco triste tomando decisões ruins por toda a história. 

Não assisti o filme, e não sei se vale a pena.


Entendes o que lês?

 

Editora Vida Nova

O livro de Gordon D. Fee e Douglas Stuart já tem 45 anos, e está aí, na 4a edição, porque realmente é muito bom. Na minha opinião, "Entendes o que lês?" deveria ser leitura obrigatória para todo mundo que quer estudar a Bíblia, compreender o conjunto incrível de literatura e ensinamentos teológicos que está nela. 

Em cada capítulo, um tema é tratado, não de maneira profunda, mas abrangente e suficiente. Além disso, incentiva a agência de quem está lendo: validando o esforço, orientando de como pode estudar sozinho e não depender de comentários bíblicos. Mesmo assim, quem quiser aprender mais, os autores dão muitas referências para continuar os estudos.

Recomendo muito!


29 de março de 2026

Uma delicada coleção de ausências

 

Editora Companhia das Letras

Eu queria muito gostar desse livro: o título é pura poesia, a capa singela, a história sobre uma neta, uma avó, uma bisavó e uma mãe ausente... Mas o clímax do livro não é nada delicado, nem ausente, algo trágico e sofrido, que, assim como aconteceu em "Pequena Coreografia do Adeus", uma tristeza pungente sem fim.

Então eu vim pela história de maternidade - um interesse em mulheres que fogem com o circo, mulheres que abandonam os filhos - e realmente não é sobre isso, e o fato da reviravolta me tirar o chão, não atendeu às minhas expectativas.

A prosa poética continua bonita, e imagino que há fãs da forma (mais do que da história), mas, para ler obras da Alice Bei, é preciso ter estômago para lidar com as rudezas da vida.

Agradeço a Companhia das Letras pela cópia fornecida via NetGalley.

28 de março de 2026

Demon Copperhead

 

Editora Faber & Faber

O livro "Demon Copperhead" ganhou 2 prêmios que eu acompanho: Pulitzer de Ficção e Women's Prize for Fiction. Além disso, é uma releitura de David Copperfield, atualizado para o interior dos Estados Unidos, livro de um autor que eu amo, Charles Dickens. Assim, não foi difícil entrar para a minha lista de leitura (bastou uma promoção na Amazon).

Barbara Kingsolver escreve muito bem, e fez um retrato incrível de uma cidadezinha perdida da Virginia - que a gente torce muito para não ser verdadeira, mas provavelmente é. A descrição desse garoto passando fome me fez doer o estômago. Eu me senti numa montanha russa: muita tristeza, esperança, muita tristeza, alegria, tristeza, e, até o final, fui ali com o coração na mão, acompanhando esse garoto, torcendo por ele, como se real fosse.

Recomendo para quem quer sofrer, mas quer sentir um quentinho no coração também.

22 de março de 2026

Os Nomes

 

Editora Tag

Esse livro da Florence Knapp entrou na minha lista de desejados assim que eu vi a sinopse: histórias paralelas de como a vida das pessoas foram afetadas por diferentes escolhas do nome do bebê.

Eu sou obcecada por nomes próprios: tenho dicas de sites, contas de instagram e ainda lembro de histórias de nomes de pessoas - quem puder, veja a peça ou o filme "O nome do bebê", é ótimo!, e tenho minha própria jornada de escolha de nomes próprios para as minhas filhas. Acho sim que o nome tem um peso na vida da pessoa (olha o meu nome!), mas foi interessantíssimo ver isso levado ao extremo na literatura.

Eu gostei da estrutura do livro e como há uma complexidade nos personagens, e nas escolhas sutis das balizas das vidas das pessoas - o que é afetado pela escolha do nome e o que não é nas personalidades. 

É um livro com vários momentos difíceis - alguns gatilhos, como dizem atualmente - mas não é tão sofrido - só o tanto que você envolve na vida deles. Muito bom mesmo.