25 de dezembro de 2025

O Aprendiz de Gutenberg

 

Editora Plantea

"O Aprendiz de Gutenberg" é um romance histórico sobre a impressão da Bíblia, um dos primeiros trabalhos a usar impressora mecânica de tipos móveis e mudar a história da distribuição de livros. Considerando o quanto eu amo livros, eu realmente queria gostar desse livro, mas...

Ele é incrivelmente mal escrito e eu perseverei por dois motivos: 1 - porque eu ganhei de presente e achava justo ter uma opinião completa sobre ele, e 2 - pelos detalhes históricos que TALVEZ estejam corretos e são interessantes.

A biografia da autora Alix Christie indica que ela gosta muito de impressão, participa de sociedades e fez cursos, então as informações técnicas (embora difíceis de entender) devem estar bem embasadas. Além disso, ela coloca alguns dados históricos no final sobre os personagens - por exemplo, que um deles (o aprendiz de Gutenberg do título) é um dos fundadores da Feira do Livro de Frankfurt, que existe até hoje (500 anos depois!).

Esse livro me deu uma imagem mental melhor dessa parte da história, o que é um mérito da narração no cérebro humano - mas realmente daria para ser bem melhor escrito, nossa.

23 de dezembro de 2025

Tudo depende de como você vê as coisas

 

Editora Seguinte

Norton Juster escreveu um livro de moral para crianças (há claramente lições em cada capítulo) e embora eu não goste muito de livros com lições tão explícitas, ele fez isso muito bem, com imagens divertidas e boa didática.

Acredito que para os leitores dos Estados Unidos seja mais divertido (há, por exemplo, uma Abelha Soletradora literal), as crianças aqui do Brasil também podem aproveitar, se tiverem paciência. Aqui em casa, ainda preciso convencer alguém a ler.

21 de dezembro de 2025

No muro da nossa casa

 

Editora Bazar do Tempo



"No muro da nossa casa" é um livro pequeno, de menos de 100 páginas, e grandemente incômodo. 

Ana Kiffer descreve um diálogo imaginado com a mãe, refletindo sobre a vida, o passado, as crises e dores - numa família marcada pela prisão do pai na época da ditadura, da mãe grávida de Ana, e do amigo e motorista Justino. Há descrições terríveis sobre tortura física e psicológica, que eu gostaria muito de acreditar que não são verdade - mas sei que são sim, ao contrário de alguém que, no livro, pergunta: mas será que chegou a tanto assim?

É um livro doloroso, e poético também (o que me fez me perder um pouco às vezes), uma cena do Brasil que querem apagar e ainda tem cicatrizes por aí.

20 de dezembro de 2025

O Caminho Imperfeito

 

Editora Dublinense


"O Caminho Imperfeito" de José Luís Peixoto me lembrou os livros de Rosa Montero, meio comentário sobre escrita, meio história, meio reflexões pessoais, e, sinceramente, gostei mais do jeito que a espanhola escreve.

Logo no começo era tanto pulo, tanta gente aparecendo na narrativa, que eu fiquei realmente perdida, e só depois que resolvi "deixar ir", sem me apegar a entender a linha temporal, que consegui aproveitar o livro.

É um bom livro que trata diversos temas: colonialismo, linguagem, corpo, turismo, família, mas é confuso também.

13 de dezembro de 2025

Na minha pele

Editora Objetive

O livro "Na minha pele" me lembrou o livro "Conversas Desconfortáveis com um homem negro", no qual Emmanuel Acho traz temas históricos e atuais sobre o racismo nos Estados Unidos. Lázaro Ramos traz dados sociais brasileiros, mas há mais relatos pessoais e familiares - misturando uma biografia com uma conversa reflexiva entre escritor e leitor.

O livro deve ter atingido mais fãs do ator, mas ajuda também quem quer entender mais da situação racial no Brasil, e me levou também a querer saber mais sobre a Bahia (ler livros de autores baianos), que parece sim muito diferente do estado de São Paulo, onde eu vivo. 

4 de dezembro de 2025

Oração para desaparecer

 

Editora Companhia das Letras

Oração para Desaparecer, assim como Cabeça de Santo, é um presente de Socorro Acioli para o realismo fantástico brasileiro.

Eu fiz essa leitura com o meu clube do livro, e uma das críticas foi que o livro entrega tudo, e é um romance que tudo dá certo - e eu acho que, de vez em quando, é bom ler um livro assim sem complicações. 

A União das Coreias

Editora Reformatório

Eu gostei do título "A União das Coreias", mas desgostei do personagem principal na mesma intensidade, e fiquei sem saber se a ideia do autor era essa mesma: provocar esses sentimento desconfortável no leitor. 

Além disso, só na segunda metade o título se explica, e aí achei que era forçado demais.

Luiz Gustavo Medeiros escreve bem, e a história é boa, só não gostei muito.